Verdade que a minha geraçao tem muito mais defeitos que qualidades. Verdade que vivemos uma crise de identidade, persolidade, e outros "ades" que dariam assunto para muitos livros de antropologia, psicologia e teoria do caos mas, entre tanta coisa esquisita, descobri, como boa polyanna que sou, que existem coisas boas das quais podemos nos gabar.
Uma delas, tem a ver com a tecnologia. Nasci nos anos 70 e naquele tempo, tinhamos em casa uma vitrola que ja era meio velha pra época. Ainda pequena aprendi que nao havia ainda coordenaçao suficiente para colocar a agulha no exato inicio da historinha do "Disquinho" cor de jujuba. E que aquela agulha quebrava e por causa disso a gente ficava sem musica. A pergunta é: Como é que vou explicar pra minha sobrinha de 3 anos de idade que era assim? Depois, vieram as fitas K7... e novamente, como vou explicar para a minha sobrinha que a sua tiazinha fazia fitas bacanérrimas colada na radio, com o dedo no pause, para parar a gravaçao antes que o locutor começasse a falar? Isso sem falar nas K7 ja gravadas de fabricas, geralmente brancas, e com encarte na caixinha! E depois os CDs... a agora o iPod, afe!
Pena que nao temos mais nem sinal daquela bolsinha de plastico do Video Clube do Brasil onde a gente ia alugar VHS. Me lembro bem de ter visto um filme dos Trapalhoes no video cassete e me sentir uma das crianças mais privilegiadas do mundo. Assistir Trapalhoes naquele video cassete Panasonic paraguaio, grande e pesado como uma geladeira, ah... que felicidade! E poder gravar! Uau! Tinhamos Top Gun que meu irmao sabia de cor as falas, juro. E tb conseguimos gravar Flashdance, meio picotado por causa dos comerciais, mas era demais! E um show do A-Ha no Rock in Rio, se nao me engano. E tanto, tanto filminho de aniversarios, com bolos coloridos, passeios de moto, mesu 15 anos, os bailes de debutantes. Bons tempos...
E como explicar para as meninas que nasceram em 2002 que era tudo assim? Que pouco tempo faz nao existia o DVD dos Aristogatos (eu so fui ver o desenho pro causa doDVD, vergonha), e que a Zia Nina (eu!) nao sabia nem que existia um computador quando começou a ir à escolinha. Para elas vai parecer coisa de outro mundo...
No giro de 30 anos, as coisas mudaram com uma velocidade absurda. E acho que quando elas descobrirem todas essas coisas do seculo passado, vao ficar com a mesma cara que eu fico ao ver os documentarios de costumes - os meus preferidos - do History Channel.
Entao é por isso que acho que tive sorte. Vi todas as coisas aparecerem na minha vida e, de certa forma, desaparecerem. Sei o que é e o mais importante, tenho na mente, alma e coraçao, a sensaçao de cada "passo tecnologico". Digamos que gosto de sentir essa nostalgia em relaçao à tecnologia, mesmo ja desejando em segredo um iPhone. Mas quando a gente cresce, a coisa passa a ter a ver com dinheiro e fica tudo mais chato. Conversa para outro dia...
Publicado em 27 de julho de 2008 às 04:59 por janavila
Dava uma raiva quando tava gravando uma música do rádio e aparecia a vinheta da rádio bem no meio da música!! Hahahaha...
E os filmes gravados da tv.. tenho Top Gun também.. além de Goonies, E.T., Falcão... E esse show do A-Ha também.. se não me engano foi 85 (tá. eu era precoce, hehe!)
Outro dia levei minha sobrinha de 5 anos a uma exposição de brinquedos antigos da Estrela. Eu tive ou pelo menos conhecia grande parte do que estava exposto (ainda hoje tenho alguns) mas pergunta se ela achou alguma graça?? Nada.. hoje ela tem uma boneca que faz as mímicas faciais de uma criança, pede carinho e pra ir ao banheiro e fala 800 frases! Como querer que ela ache graça em uma boneca que, no máximo soltava bolinhas de sabão? Difícil explicar mesmo...beijo.