Mundo Sonoro
Friday, 13.06.08
X-Factor Itália
Ficamos completamente viciados na versao italiana do X-Factor, mais um daqueles programas que pretendem descobrir uma nova pop-star. No caso italiano, o programa, que acabou ha umas semanas, deu o titulo a um grupo vocal muito original. Se chamam Aram Quartet e quem quiser saber do que se trata pode procurar no You Tube. Mas o que eu queria mostrar mesmo era um grupo chamado "Cluster", que sao os vencedores morais da ediçao italiana. Eu ja os amo! Ja comprei o CD e tudo. é um grupo vocal, so voz! Nada de instrumentos, é genial! Outra boa é a Giusy, uma Amy Winehouse italiana, e ja ha tres semanas entre os singles mais vendidos do iTunes. O video mostra o Cluster em um duo com Morgan, um dos jurados do programa e um personagem incrivel. Ele é musico, lider de um grupo chamado "Blu Vertigo" e ex-de Asia Argento que nao quer dizer nada e, ao mesmo tempo, bastante coisa. Devo confessar que desenvolvi pelo tal Morgan uma certa admiraçao psico-carnal fantasiosa. A musica é "Enjoy the Silence", do Depeche Mode e o video do ultimo programa, o Galà.enviado por janavila às 04:57 | 4 comentários
Thursday, 12.06.08
Só um pouco
Hoje quis saber quem eu sou. Nao sabia onde começar a me procurar. Nao me encontrei no espelho – lugar obvio demais, ja deveria saber que ali nao estava! Desci, fui dar uma volta ao redor da casa. Controlei a horta que fizemos ontem. Eu plantei quase tudo: alface lisa, crespa, rucula, radicchio, chicoria... As pernas doem hoje, de tanto ficar de cocoras, espalhando aquelas sementes minusculas em um canal feito com o dedo indicador. Trinta e tres anos e eu nunca havia plantado numa horta. E entao posso começar a entender porque o mundo vai desse jeito torto. Controlei o canteiro dos girassois e percebi que eles crescem, que ainda sao plantas pequenas e mesmo que nao façam flores como aquelas do saquinho, ja me sinto feliz. E nos girassois e na horta encontrei um pouco de mim. A maquina de lavar é o parque de diversoes das roupas sujas, que giram e giram com toda aquela agua e sabao, parece divertido. E sorrindo para a maquina, encontrei mais um pouco de mim. Ouvi o carro do correio sair de marcha ré da estradinha que leva até a nossa casa. Deixou um envelope para mim. Nos selos da “costureira” e do “carpinteiro” tinha mais um pouco de mim e no interior, em papéis coloridos e letra redondinha, mais uma boa parte de mim. “Também sou feita de amor”, pensei subindo a escada e rindo com o cotidiano além-mar. Arrumei a cama, e o amassado do lençol me mostra do que somos feitos, eu e voce, amore mio. Decido de arrumar os sapatos. Abro o armario e os vejo alí, desorganizados, empoeirados, esquecidos e solitarios – mesmo em dupla! Sao como prisioneiros que veem o sol depois de meses de isolamento. Me sinto culpada. E organizando os pares, trazendo à luz aqueles que posso usar com os dias mais quentes, experimentando-os como se fossem ainda na loja e recordando velhos passos, me reencontrei. Em pares de sapatos redescobri um bom tanto de mim. Os sapatos fiéis, que nao me julgam, que nao me recriminam, que me suportam. Me encontrei para me fazer companhia.
enviado por janavila às 09:10 | 2 comentários
Wednesday, 04.06.08
Salvar Como
O blecaute no Tipos me obrigou a começar a criar um arquivo no bom e velho word dos post do meu passado remoto. Mal comecei e me enrolei porque comecei a me reler. E me emocionar, de certa forma. Fiquei com um pouco de pena de mim, confesso. Há cinco anos eu também tinha pena de mim – tá escrito em novembro de 2003. Chorava e levava foras homéricos. Verdade que eu era muito mais explícita, colocava no blog tudo, mesmo sem entender nada. A vida naqueles anos era muito mais movimentada que esta de hoje. Tb existiam mais personagens, mais cenarios, mais oscilaçoes de emoçoes. Em alguns trechos, nao me reconheço. Nao li os comentarios, e isso quero fazer qdo finalmente chegar a adsl na roça (estao prometendo para breve, oremos!), mas lembro perfeitamente de alguns, como aquele do sabio Groo que me aconselhava com as cintilantes palavras “barman é a escoria da humanidade”. Essa vou ter que ensinar às minhas filhas.
Nas profundezas do arquivo, achei um tal “John Travolta” e juro que nao lembro absolutamente deste flerte. Ja puxei, puxei, puxei e nao me lembro dele. Nao sei quem é! Nao me lembro de como se chamava, do que fazia, nada! Absolutamente nada!!! Como é possivel? Uuuuufa! Nao me lembro! Do barman sim, eu me lembro vagamente. Principalmente das passagens mais dramaticas. Infelizmente, foi o que ficou daquele auto-flagelamento. Mas nao lembro do nome dele, pode?
Tem uma coisa que é constante, e que lembro bem. É quando falo dos amigos que o Tipos trouxe e que existiam antes dele, claro. Sei exatamente quem é que bebe (bebia?) Campo Largo e quem é que se emocionava com uma garrafa de Absolut. Sei a quem eu me referia quando me acontecia algo que parecia uma mini-maldiçao e de quem é que me fazia companhia no MSN full-time, a paixao por suricatas e Sabaudia. As pessoas da extinta QSL, os companheiros de risada no balcao do velho Valentino as fotos das noites latinas e tanta coisa que eu sei que está lá, nos arquivos do Tipos.
Disse para o “jaguaradesabaudia” que nao seria uma perda para a humanidade se todos os posts, desses anos todos, desaparecessem no nada. E ele me lembrou que seria uma grande perda para nos. E ai eu fiquei nervosa. Porque era a mais pura verdade. E hoje, lendo o que estava alí, “realizei” que isso nao pode acontecer, é uma coisa que tenho que deixar aos meus descendentes.
Depois de reler mais algumas coisas, sinto um gostinho ruim. Culpa minha, porque acho que me escondia atras de noitadas infinitas, de tanta bebida e caras errados. Piadinhas, ironias, disfarces. Nao adiantou nada. Mas também tem coisa para rir, como ler que eu e a Loriane (por onde andará?) “pontificamos” em algum lugar. Acha?!? E as coisas que aconteciam no jornal, como eu gostava de trabalhar ali. Ai...ainda nao cheguei no post da demissao. Esse sim foi dramatico. Passaram-se quase quatro anos e até hoje me considero uma pessoa “ressentida”, paciencia.
Mas tambem tem o gosto doce, de pessoas doces que passaram pela minha vida e que eu desejo muito reencontrar. E pensando bem, as melhores coisas da vida eu nao publiquei e se o fiz, foi de um jeito tao cifrado que so mesmo algumas pocas pessoas podem entender. Essa meninona de 30 e poucos anos mudou tanto e temo dizer, que ainda mais mudanças e “mistérios devem pintar por aí, por aí, por aíííííííííí...”