E você tá com tanto leite?
Meu Deus, nunca me imaginei fazendo esse tipo de pergunta a você.
E com quanto nasceu? Com que peso?
Dhuuu! De novo! Não acredito que estou te perguntando isso.
E as risadas explodem. Exatamente como nos domingos de manhã, quando no telefone passávamos a limpo a noite de sábado. Minha amiga, você agora é mãe. Ainda não consigo parar de repetir, MAE!!! Minha querida, com quem compartilhei os momentos mais duros de solidão, os amores mais instantâneos, as dores mais amargas. Aquela que me acolheu quando eu ainda era pequena, perdida no meio de tanto brilho falso e promessas de papel manteiga. Você que me viu crescer, que me ajudou a entender o que acontecia, que me sorria até quando não poderia. Agora, mãe. Eu queria escrever alguma coisa, até para tentar deixar no teclado a vontade que eu senti de segurar teu Teodoro no braço. Entre lágrimas e risos nervosos escuto tudo o que você diz, sempre! A gente que quase sempre esteve perto uma da outra. A gente que viu o sol nascer em vários primeiro de janeiro, a gente que viu tanta gente chegar e ir embora no dia seguinte. E agora, mãe! Eu já amo teu filhote. Imagino ele como vc me disse: branquinho, com a tua boca grande... pequeno para você que é grande, grande. Pequeno para o tamanho da tua dolcezza. Eu estou tão feliz. E achando incrível que seja um menino. Exatamente do mesmo sexo daqueles que se tornariam o nosso assunto preferido. Do mesmo sexo daqueles que nos levariam para conhecer outros lugares e descobrir novos sentimentos. E que eles, os sentimentos, fossem verdadeiros ou amostras grátis – não tão grátis assim – não importa. Um menino! E eu já sei que ele vai ser um tesouro. O genro que a mamãe pediu a Deus. Porque vai crescer com você, que vai ensiná-lo a comportar-se como um homem, “não como um rato”. E ele vai rir quando eu cantar “Dentro da cabeça de um cara tem um lobo. Dentro da cabeça do lobo tem um cara” . E vai ser lindo. Porque é filho do amor, e tudo que é filho do amor não é estranho aos nossos hábitos. Pq se não fosse por amor, não teríamos chegado tão longe e tão esperançosas que ainda tem muito por vir. Eu desejo, de todo o coração que o Teodoro – que já tem um belo sentimento no nome – cresça feliz e saudável, que o amor que nos une por todos os lados, seja o banquinho onde ele vai poder subir e ver a vida do alto. E que ele possa ir ainda mais longe e descobrir as delícias da vida com toda a doçura e calma do mundo. Já corremos bastante e acho que já choramos o bastante. Agora nos sentamos perto do fogo e vamos ver a criança crescer...
Teodoro!
Fica esperto que tô de olho!
Ah, moleque!
;)