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Mundo Sonoro

por Janaína Ávila

Friday, 13.06.08

X-Factor Itália

Ficamos completamente viciados na versao italiana do X-Factor, mais um daqueles programas que pretendem descobrir uma nova pop-star. No caso italiano, o programa, que acabou ha umas semanas, deu o titulo a um grupo vocal muito original. Se chamam Aram Quartet e quem quiser saber do que se trata pode procurar no You Tube. Mas o que eu queria mostrar mesmo era um grupo chamado "Cluster", que sao os vencedores morais da ediçao italiana. Eu ja os amo! Ja comprei o CD e tudo. é um grupo vocal, so voz! Nada de instrumentos, é genial! Outra boa é a Giusy, uma Amy Winehouse italiana, e ja ha tres semanas entre os singles mais vendidos do iTunes. O video mostra o Cluster em um duo com Morgan, um dos jurados do programa e um personagem incrivel. Ele é musico, lider de um grupo chamado "Blu Vertigo" e ex-de Asia Argento que nao quer dizer nada e, ao mesmo tempo, bastante coisa. Devo confessar que desenvolvi pelo tal Morgan uma certa admiraçao psico-carnal fantasiosa. A musica é "Enjoy the Silence", do Depeche Mode e o video do ultimo programa, o Galà.

enviado por janavila às 04:57 | 3 comentários

Thursday, 12.06.08

Só um pouco


Hoje quis saber quem eu sou. Nao sabia onde começar a me procurar. Nao me encontrei no espelho – lugar obvio demais, ja deveria saber que ali nao estava! Desci, fui dar uma volta ao redor da casa. Controlei a horta que fizemos ontem. Eu plantei quase tudo: alface lisa, crespa, rucula, radicchio, chicoria... As pernas doem hoje, de tanto ficar de cocoras, espalhando aquelas sementes minusculas em um canal feito com o dedo indicador. Trinta e tres anos e eu nunca havia plantado numa horta. E entao posso começar a entender porque o mundo vai desse jeito torto. Controlei o canteiro dos girassois e percebi que eles crescem, que ainda sao plantas pequenas e mesmo que nao façam flores como aquelas do saquinho, ja me sinto feliz. E nos girassois e na horta encontrei um pouco de mim. A maquina de lavar é o parque de diversoes das roupas sujas, que giram e giram com toda aquela agua e sabao, parece divertido. E sorrindo para a maquina, encontrei mais um pouco de mim. Ouvi o carro do correio sair de marcha ré da estradinha que leva até a nossa casa. Deixou um envelope para mim. Nos selos da “costureira” e do “carpinteiro” tinha mais um pouco de mim e no interior, em papéis coloridos e letra redondinha, mais uma boa parte de mim. “Também sou feita de amor”, pensei subindo a escada e rindo com o cotidiano além-mar. Arrumei a cama, e o amassado do lençol me mostra do que somos feitos, eu e voce, amore mio. Decido de arrumar os sapatos. Abro o armario e os vejo alí, desorganizados, empoeirados, esquecidos e solitarios – mesmo em dupla! Sao como prisioneiros que veem o sol depois de meses de isolamento. Me sinto culpada. E organizando os pares, trazendo à luz aqueles que posso usar com os dias mais quentes, experimentando-os como se fossem ainda na loja e recordando velhos passos, me reencontrei. Em pares de sapatos redescobri um bom tanto de mim. Os sapatos fiéis, que nao me julgam, que nao me recriminam, que me suportam. Me encontrei para me fazer companhia.
enviado por janavila às 09:10 | 1 comentário

Wednesday, 04.06.08

Salvar Como


O blecaute no Tipos me obrigou a começar a criar um arquivo no bom e velho word dos post do meu passado remoto. Mal comecei e me enrolei porque comecei a me reler. E me emocionar, de certa forma. Fiquei com um pouco de pena de mim, confesso. Há cinco anos eu também tinha pena de mim – tá escrito em novembro de 2003. Chorava e levava foras homéricos. Verdade que eu era muito mais explícita, colocava no blog tudo, mesmo sem entender nada. A vida naqueles anos era muito mais movimentada que esta de hoje. Tb existiam mais personagens, mais cenarios, mais oscilaçoes de emoçoes. Em alguns trechos, nao me reconheço. Nao li os comentarios, e isso quero fazer qdo finalmente chegar a adsl na roça (estao prometendo para breve, oremos!), mas lembro perfeitamente de alguns, como aquele do sabio Groo que me aconselhava com as cintilantes palavras “barman é a escoria da humanidade”. Essa vou ter que ensinar às minhas filhas.

Nas profundezas do arquivo, achei um tal “John Travolta” e juro que nao lembro absolutamente deste flerte. Ja puxei, puxei, puxei e nao me lembro dele. Nao sei quem é! Nao me lembro de como se chamava, do que fazia, nada! Absolutamente nada!!! Como é possivel? Uuuuufa! Nao me lembro! Do barman sim, eu me lembro vagamente. Principalmente das passagens mais dramaticas. Infelizmente, foi o que ficou daquele auto-flagelamento. Mas nao lembro do nome dele, pode?

Tem uma coisa que é constante, e que lembro bem. É quando falo dos amigos que o Tipos trouxe e que existiam antes dele, claro. Sei exatamente quem é que bebe (bebia?) Campo Largo e quem é que se emocionava com uma garrafa de Absolut. Sei a quem eu me referia quando me acontecia algo que parecia uma mini-maldiçao e de quem é que me fazia companhia no MSN full-time, a paixao por suricatas e Sabaudia. As pessoas da extinta QSL, os companheiros de risada no balcao do velho Valentino as fotos das noites latinas e tanta coisa que eu sei que está lá, nos arquivos do Tipos.

Disse para o “jaguaradesabaudia” que nao seria uma perda para a humanidade se todos os posts, desses anos todos, desaparecessem no nada. E ele me lembrou que seria uma grande perda para nos. E ai eu fiquei nervosa. Porque era a mais pura verdade. E hoje, lendo o que estava alí, “realizei” que isso nao pode acontecer, é uma coisa que tenho que deixar aos meus descendentes.

Depois de reler mais algumas coisas, sinto um gostinho ruim. Culpa minha, porque acho que me escondia atras de noitadas infinitas, de tanta bebida e caras errados. Piadinhas, ironias, disfarces. Nao adiantou nada. Mas também tem coisa para rir, como ler que eu e a Loriane (por onde andará?) “pontificamos” em algum lugar. Acha?!? E as coisas que aconteciam no jornal, como eu gostava de trabalhar ali. Ai...ainda nao cheguei no post da demissao. Esse sim foi dramatico. Passaram-se quase quatro anos e até hoje me considero uma pessoa “ressentida”, paciencia.

Mas tambem tem o gosto doce, de pessoas doces que passaram pela minha vida e que eu desejo muito reencontrar. E pensando bem, as melhores coisas da vida eu nao publiquei e se o fiz, foi de um jeito tao cifrado que so mesmo algumas pocas pessoas podem entender. Essa meninona de 30 e poucos anos mudou tanto e temo dizer, que ainda mais mudanças e “mistérios devem pintar por aí, por aí, por aíííííííííí...”
enviado por janavila às 12:03 | 7 comentários

Wednesday, 21.05.08

Enquanto isso no jardim...


Ja falei que moro na roça?

Segunda-feira, 19 de maio de 2008
enviado por janavila às 05:26 | 7 comentários

Tuesday, 20.05.08

Desastres Naturais

Por falar em desastres naturaus, uma avalanche,

A gente nunca vai entender como è que funciona esse joguinho chamado vida. Eu, pelo menos, estou abrindo mão do desafio. Não vou entender nunca, me rendo. Volto ao tema do post anterior, e me sinto bem patética, completamente “fuori logo”. Como se numa estupida comédia de Sessão da Tarde, a mulherzinha do século XXI fosse catapultada no universo de Jane Austen, em meio a um salao de baile, atualizando um blog enquanto distintos senhores dançam o minueto. Outra constataçao: virei estatua de sal faz tempo, de tanto olhar pra tras. Varios pecados na coleçao. Nas minhas tentativas de colocar o passado no futuro, so me dei mal. Enquanto nao mudar de estratégia, fico patinando na lama. Incoerente! Pena que nao tenho forças para “sumir no mapa”. Criei raizes demais... sou daquele tipo que não joga fora papeizinhos de bala, ou ingressos de teatro, recibos do cartao de credito, so pra lembrar de momentos bons. E vivo correndo o risco de viver um momento “Em Algum Lugar do Passado”, quando descubro no bolso de um jeans um desses indicios de que existia um momento em que eu estava melhor que agora. Aconteceu duas vezes essa semana. E nao foi bom, creiam-me. Na tv vi um documentario sobre como algumas pessoas sobreviveram a desastres naturais, tipo enchentes, tornados, avalanche de neve, raios. Dois caras que foram fulminados por raios tiveram problemas com a memoria breve, como a Dolly de Procurando Nemo. Interessante. Nao que eu os inveje. Mas gostaria de poder “dar de ombros” e deixar passar tanta coisa, vendo tudo pelo lado bom. Mas por causa da minha natureza, permito que coisinhas me façam ficar com um figado bem grande - como se diz em italiano - de nervoso. Eu sou uma vitima de desastres contra a minha propria natureza. E estou sobrevivendo.
enviado por janavila às 05:40 | 1 comentário

Wednesday, 14.05.08

Começo a desconfiar que sou filha de uma geraçao sem pé nem cabeça. Aos 33 anos me encontro mais perdida que nunca, sem saber para onde andar, se o melhor é olhar pra cima ou pra baixo. Nao foi isso que me prometeram. Eu tinha a absoluta certeza que depois dos 30 - visto que a coisa nao tinha funcionado aos 25, idade maravilhosa - eu saberia exatamente onde é que fica o meu nariz. Que nada. Nao é so questao de idade. É outra coisa. É se ver perdida, com desejos nao realizados e data mais do que vencida. Apostas que parecem nao ter mais fim... é muito chato. Ta na moda falar de 1968, o grande ano, onde grandes coisas aconteceram na hora certa. Eu nasci bem depois. E a minha geraçao é tao besta, mas tao besta, que nem se quiséssemos poderiamos encontrar algo para recordar assim, intensamente. Algo que rendesse teses, livros, mini-series... Uma geraçao feita de tanta historia pessoal. Cada um com seu cada um, com nada em comum, cheia de slogans fajutos e aspiraçoes de terceira categoria. Perseguindo idolos, os substituindo logo em seguida, ainda construindo castelos no ar. Me sinto muito entediada. Ainda recebo flyers para festas com bebida liberada até meia-noite e ao mesmo tempo, procuro as novidades em cremes contra os "primeiros" sinais da idade. Penso na herança que quero deixar aos meus filhos e nem consigo engravidar, queimo etapas, brigo com o passado, quero vingança! Tento fazer as pazes com o futuro e ignoro o presente. Como é que se pode andar pra frente desse jeito?
enviado por janavila às 18:01 | 7 comentários

Wednesday, 30.04.08

Identificaçao

Acabei de (re)ver a primeira parte do ultimo episodio de Sex and The City. Inutil dizer que estou estremamente emocionada. Nao é a primeira vez que vejo o episodio, alias, deve ser a quarta ou quinta. Tenho acompanhado a serie desde a primeira temporada, é o sentido que resolvi dar àas minhas tardes: das 15h as 16h, dois episodios, no canal 115 de Sky. E a cada episodio, mesmo ja sabendo a proxima fala, descubro uma nova nuance, um novo sentido.É, definitivamente, a melhor coisa que ja fizeram na TV.

Bom, o episodio conta da chegada de Carrie a Paris, da sua solidao e o começo daquela sensaçao de que fez cagada ao deixar a sua amada New York, as amigas, o trabalho. E termina com ela, sentada num sofazinho, em meio aos amigos do russo que falam em frances, a lingua que ela ainda nao domina.

Identificaçao ao "cento percento".

Estou numa fase estranha. Parece que acordei de uma viagem de acido, sei la. Parece que certas coisas que eu nao via, se apresentam vestidas de tinta fosforescente, dos pes à cabeça. Nao consigo mais fazer de conta que ta tudo bem, que vivo num conto de fadas, que é o maximo morar na Europa, ter os Alpes na janela e euros na carteira. Nao usarei a palavra "cagada" para definir as minhas escolhas mas... a pergunta "CHE CAZZO, to fazendo aqui?", começa a frequentar a minha cabeça sem pre-aviso.

O amor deveria bastar mas... Para a minha decepçao romantica e pollyanna, nao basta. O nosso amor é uma minuscula ilha no meio de um oceano de duvidas, perguntas sem respostas, magoas, decepçoes. É nessa ilha que vivemos mas me pergunto até quando vamos conseguir viver disso. Sei que vai chegar uma hora que a porca vai torcer o rabo e vamos ter que se jogar nesse marzão desconhecido e cheio de monstros malvados.

Mas ainda sou romantica e espero um milagre. Porque toda vez que toco o fundo, um milagre me salva.Eu peço para que ele aconteça e ainda acho que tem gente me ouvindo, ou melhor, tenho certeza...
enviado por janavila às 11:21 | 9 comentários

Wednesday, 23.04.08

33

Exatamente à meia-noite, escutava a voz metálica da operadora antes de completar a ligaçao. Telefonei aos responsaveis. Era a hora zero desse dia que marca os 33 anos. Como sao cinco horas de diferença, me sinto especial por poder comemorar um aniversario longo 29 horas. Na minha imaginaçao é assim e pronto. O sonho do dia de aniversario foi assim: sonhei que cantava num sho de calouros e cantava "Tempo Perdido", do Legiao Urbana. Era um sonho muito divertido e eu tinha uma voz maravilhosa, uma forte concorrente. Depois sonhei que me deram de presente um par de botas azuis, quentes, sem salto. E fim. Acordei com um dia lindo, de céu azul e um marido doido pra ir dar uma volta em meio à natureza. Nao queria ir, preguiiiiiiiiiiça de taurina deprimida, he. Sim! Ano passado estava no Brasil, com a Lali nos braços, cantando parabens e assoprando velinhas num bolo com Winnie The Pooh. Enfim... as tais escolhas.

Acabei de voltar do passeio. E foi maravilhoso. Descobri que nasci na época das "buca neve", literalmente "fura-neve", pequenas florzinhas brancas e roxas que aparecem logo depois da neve, no meio do gramado ainda sem muita vida. Elas anunciam a primavera e é lindo ver aquele monte de buca neve desafiando o terreno ainda frio do inverno. Tb descobri que nasci quando os animais selvagens começam a sair das tocas e procurar a grama verde nas partes baixas. Vimos tres! E tb vi uma pequena avalanche, a neve vindo abaixo por causa do calor (8°C, isso la é calor?). Tudo acontecendo na manha do meu aniversario. Fiquei com aquela sensaçao besta de ser protagonista de algo especial e vou deixar que essa coisa fique em mim o dia todo. Feliz Aniversario, Tia Jana!
enviado por janavila às 07:22 | 12 comentários

Friday, 18.04.08

( )

Uma semana de "férias". Coisa estranha. Se ja fiquei anos sem as tais férias, passar cinco meses sem dar um tempo na vida parece o fim do mundo. Uma semana longe de casa, computador a pagamento e tudo o que fica em suspeso se revela em suspensao ha muito mais tempo do que eu poderia imaginar.

enviado por janavila às 12:18 | 1 comentário

Thursday, 10.04.08

É de abril

Instalei um novo anti-virus que sempre se “atualiza”, constantemente. É uma maravilha, nao preciso nem pedir. Um quadradinho azul surge no canto esquerdo da tela para me avisar que a missao foi completada e o caçador de bichinhos de computador esta na sua mais perfeita forma. Pensando no anti-virus, pensei em mim. Que bom seria se eu fosse dotada dessa “atualizaçao automatica” e toda vez que me conectasse a qualquer coisa, fosse automaticamente atualizada. Pecado que nao é bem assim que funciona esse mundo. Nao me atualizo assim e para dizer a verdade, me sinto mais por fora que umbigo de vedete.

Comendo um spaghetti, realizei – adoro esse verbo que a gente nem usa tanto em portugues – que eu ocupo um novo lugar no meu imaginario. Encontrei uma nova figura para me explicar. Eu sou a primeira coisa carregada num grande caminhao de mudança. Aquela que fica la no fundo, atras de toda a tralha mais util. Explico: quando a gente ia pra praia, toda a familia, as primeiras coisas a entrarem no porta-malas eram as cadeiras de praia. Facil de entender. Eram grandes, chatas de carregar, e mesmo dobraveis, ocupavam um espaço que deveria ser otimizado para as outras coisas realmente uteis.. Mas nao sao menos importantes, nananinanao. Como imaginar um janeirao de praia sem cadeirinhas e guarda-sol?!? É soq eu sao grandes demais para ficar à mao, e se por azar pegassemos uma semana inteira de chuva? As cadeiras nem precisariam sair do porta-malas e o que é ainda melhor: ja estariam no lugar para a acomodaçao do resto da bagagem realmente util. Poderia me classificar ainda como um belissimo conjuntinho de lingerie da Victoria Secret’s, que de tao precioso fica no fundo da gaveta, as vezes ainda dentro da embalagem, “para nao estragar e nao pegar pó”, e que de tanto em tanto ve a luz do dia (ou o furor da noite) mas logo volta para aquele lugar, com montanhas de calcinhas de algodao e sutiã “pra bater” em primeira fila. Eu sou aquele conjuntinho caro, especial, e que fica condenado ao fundo da gaveta de calcinhas. Poderia ser tb aquela calcinha furada ou o sutia sem elastico que tambem ocupam o fundo das gavetas mas prefiro ser qualquer coisa da Victoria Secret’s. Ja estou down o suficiente.

Abril é um mes dificil. Este pelo menos está sendo. Sinto tanta saudade de CASA – substantivo abstrato, no meu caso. Tenho medo do proximo aniversario, do meu aniversario. E como se nao bastasse, tem o final de temporada e a agonia imaginar o que pode acontecer na proxima: Tantos, tantos indesejaveis pensamentos. Arght! Amanha é aniversario do Andrea, se é para continuar no tema. Ele nao parece que sofre de inferno astral. Mas é pq nao acredita muito nisso. Eu como acredito, sofro. As vezes, a ignorancia é uma aliada.
enviado por janavila às 11:27 | 7 comentários

Tuesday, 18.03.08

Abd al Malik

Depois de mais ou menos tres anos de total abstinencia, ontem fui a um show. É uma vergonha, eu sei. E mesmo com grandes, mas grandes mesmo, shows a menos de 200 km de distancia de mim, ainda nao tinha experimentado a sensaçao da musica ao vivo por estas bandas. Ei! Baile com italianada dançando "liscio", nao vale!!!

Ontem eu fui pra Aosta ver o show do rapper frances Abd al Malik. Quem me conhece sabe do meu gosto sem fronteiras pra musica. Hip Hop japones, rumba turca, bossa nova tcheca, é comigo mesmo. Eu nao conhecia o cara. Fui pela foto no catalogo da "Saison" promovida pela regiao onde eu moro. Convenci minha cunhadinha e vamos que vamos. Extase! Eu adorei. E gostaria de compartilhar a descoberta - ja que nao posso convidar para uma cerveja - os amigos do Tipos. (Perdao, Brigi. Nao resisti, he).



Abd Al Malik segue a formula. De origem congolesa, criado na periferia de Paris, escreve sobre o que esta ao seu redor. Fala da sua "comunidade" e tudo o que ele diz poderia ser ali, em qualquer periferia around the world. Um amigo que assassinado por policiais, o preconceito por causa da cor de pele, da religiao, a solidao das ruas, enfim. O que me encantou de verdade foi a poesia. Nao era rap agressivo, era sutil - mesmo com as letras cortando a garganta dele e a nossa tambem. A musica, cara! Ah... a musica! Quase nada eletronico. Era muito mais bateira, baixo acustico, piano e percussao... maravilhoso!

Um pedaço de uma musica que eu ouvi ontem e que me emocionou: "Eu venho de um lugar onde nada é grave demais"

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enviado por janavila às 14:14 | 8 comentários

Thursday, 13.03.08

Purgatório Emocional

Aqui tem um tipo de reality show que se chama “Bastardi”. A palavra “bastardo”, em italiano, significa mais do que filho ilegítimo. Uma pessoa “bastarda” é a soma de filha-da-puta, lazarenta, desgraçada e etc, tudo junto. O programa promete livrar a participante de toda e qualquer dor que uma historia de amor terminada mal pode causar. É um programa para mulheres, vitimas de “bastardos” e que sentadinhas no sofa recontam à apresentadora toda a epopéia da historia tragica de coraçao partido. Conforme as safadezas do salafrario em questao vao sendo reveladas, um “termometro” vai medindo o grau de filhadaputice do cidadao. Começa com sem-vergonha, vagabundo, safado, filho de uma bisca, lazarento, velhaco, canalha até chegar a uns quatro ou cinco tipos de bastardo. É ultra libertador, juro! Claro que a apresentadora estimula a telespectadora a enviar a sua historia e se fori digna de pena, quem sabe vc nao aparece no programa – Fama!!! Obvio que fui buscar no porão escuro do coraçao as minhas historias que terminaram mal. Elegi o meu bastardo, que é o chefe de fase, o vilao mais temivel e o fantasma mais presente. Ja seria dificil descrever em portugues o tamanho do estrago, imagina entao em italiano. A doença é cronica e temo que incuravel. Assim como a filhadaputice do cidadao: um dia, provocando o Google, descobri um comentario do proprio num site de uma cidadezinha sei la d’onde. Ele comentava que o site o fez tornar aos tempos de criança, quando ia visitar a avó, numa casinha branca de janelas azuis, falava das galinhas no terreiro, do clima bucolico e bla bla bla. Quando eu li aquilo, chutei com toda a força a quina da mesa. Eu morri acreditando que ele era nascido e criado além mar, que ainda tinha familia naquelas terras distantes. . E agora aparece uma vozinha de Pirapozinho dos Cafundos? Mentira além tumulo? Afe... E assim concluo que falta muito pra me libertar completamente. Sou doente. E juro que procuro sempre um motivo pra despreza-lo. Sorte minha que consigo encontrar, todas os dias, bem quando eu acordo. E ainda assim, esse bastardo continua sendo o meu purgatorio emocional. Mereço...

enviado por janavila às 17:41 | 3 comentários

Thursday, 21.02.08

A Maldiçao da Bolsa Grande


O mundo da moda tem os seus caprichos. Qdo ele “encafifa” que alguma coisa vai ser o hit da proxima estaçao nao tem escapatoria. Mesmo inconscientemente, neguinho acaba comprando o tal “must have”, mesmo que seja na “bacia das almas”. Pois bem. Caindo como uma luva no meu ja primitivo instinto para bolsas grandes, dei conta de comprar uma gigantesca, em super oferta. Além de ser gigante, a bolsa é lindamente vermelha, em couro e verniz, com alguns detalhes em creme, charmosona. Tanto que no dia de estréia, pelo menos tres outras meninas vieram com o sinal mais evidente de que a compra foi um sucesso:
- Aaaaaaiiiiiii.... Onde é que vc comprou?

Muito bem. A bolsa é realmente grande. Praticamente como aquela que o meu pai leva para o clube com todo o material para o futebol. E olha que ele é um daqueles à moda antiga, que ainda usa faixa, meiao, calçao, camisa, a troca para depois da partida, alem da toalha para o banho e etc (certo que um homi nao precisa de shampoo, condicionador, sabonete, esponja esfoliante, hidratante para o corpo, para o rosto, filtro solar, oleo para as pontas secas... mas ta valendo). Qdo comprei a tal bolsa pensei: uia, cabe até um cachorrinho. Delicia!!!

No dia seguinte ja era um humilde serva da bolsa gigante. Se na bolsa antiga eu ja levava o tempo complementar para achar o porta-moedas, nessa consigo até sentir o eco das moedinhas indo pra la e pra ca. Para achar a manteiga de cacau, é praticamente necessario um GPS. Para as chaves de casa entao? Manda um Tom Tom... Nao satisfeita, ainda resolvi enfiar a agenda – como se aqui eu tivesse muitos compromissos; o caderninho de endereços – como se eu mandasse uma carta por dia ou telefonasse aos amigos de meia em meia hora (bons tempos!), um livro de mais de 200 paginas, o carregador do celular (nunca se sabe, ne?), o Ipod – ja que tenho um, oras! e ainda um par de luvas, o gorro e o cachecol, o oculos de sol, o de leitura (ja que peguei o livro)... Resultado? Antes de dormir fico me perguntando pq estou com dor no braço. Afe.

Ontem, tentando mudar um pouco, decidi mudar de bolsa. Peguei uma média, que nos tempos aureos do jornalismo janaínico ia pra labuta com tudo dentro, até a agenda – jornalista sem agenda é uó, hehe. E para a minha amarga decepçao, a bolsa tinha virado praticamente uma pochetezinha. Minuscula!!!! Como é possivel??


Hoje voltei pra bolsona. E agora nao sei se vou conseguir me livrar do karma da bolsa gigante. E é grande, juro! E é mais forte que eu. Pq é psicologico!!! Basta abrir a revista e ver que a moda nao vai ajudar muito. Acabo de ver uma bolsa de mao, do tipo carteira, com mais de 50 cm de largura. Eu sofro!
enviado por janavila às 16:34 | 10 comentários

Tuesday, 12.02.08

Mais do mesmo

Nao queria falar do tempo. Mas nao consigo. De novo ele, o tempo! Ontem fez dois anos que dei uma “guinada” na minha vida. Mudei de CEP, de estado civil, de jeito de dormir e acordar. Parece que faz muito mais tempo. E foram so dois anos.

Ontem fui ver o que tem acima da minha cabeça. Depois do trabalho, peguei a “funivia” e fui ver onde é que as pessoas esquiam. Depois fui do outro lado e desse lado cheguei a mais de 2,7 mil metros de altura. Uma vastidao branca, tudo tao longe, um horizonte esfumaçado, um “mundao sem porteira”. Vendo tudo aqui so desejei que as pessoas que eu amo possam um dia ver o que eu via naquele momento. Diante de tanta beleza imcompreensivel eu so posso concluir, assim,no meio da tarde, que Deus existe e é o cara mais poderoso do mundo. E com um bom-gosto...

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Pensar que no ano passado, a essa altura, eu ja estava de passagem comprada pra voltar pra casa. E fazia planos, com o gerador de expectativas funcionando a todo vapor. O tempo... bem engraçadinho, esse moço.

Fevereiro deve ser mesmo o mes da vontade de ir pra algum lugar. Hoje decidi que encontrava pelo menos dois motivos pra gente fugir em maio. Passagens baratinhas, lugares incriveis... Essa coisa de voo low cost é maravilhosa. Pensar que com alguns trocados se pode pegar um aviao ou um trem e escapulir para algum lugar que ha alguns anos – e mais de dois - eu nem imaginava que poderia ousar. A-do-ro! Poucas coisas sao melhores que viajar. Ainda mais vivendo num lugar onde tudo é pertinho, o outro país é logo alí e esse país nao é o Paraguai – e nada, absolutamente nada contra o Paraguai.

Onde eu trabalho, falar do Brasil é o melhor jeito de puxar papo comigo. Eu falo, adoro falar do Brasil, adoro dizer que ali é (sempre) verao, que faz 40 graus, que as pessoas ainda tao pulando Carnaval. Adoro dizer que a pimenta bahiana é uma bomba, mesmo que eu nunca tenha experimentado (odeio pimenta), que moro no mesmo estado das Cataratas do Iguaçu, que o arroz é assim, soltinho, grao longo, que brigadeiro é bom, traduzo proverbios para o italiano, nao me reconheço. O efeito colateral é que sempre fico morrendo de saudades. É uma saudade estranha. Pq nao é a saudade da familia ou das coisas que eu realmente conhecia e vivia como brasileira. É uma saudade de coisas que nem eram minhas, daquela coisa de propaganda da Embratur, dificil explicar, pq ali eu so trabalhava, me divertia um pouco e nada mais. Nao era uma vida de banho de cachoeira, de pé vermelho de lama, de tardes sentadas na calçada, de passeios a beira-mar ou de feira livre aos domingos. E é de tudo isso que tenho saudade. Como se a minha saudade fosse uma propaganda institucional. Sera que isso (tambem ) é nacionalismo? Sera que to virando “turista”? Eu nao leio mais noticias do Brasil, nao sei absolutamente mais nada. E nem me interesso. Pq nao tenho saudades do que é noticia... nao é isso que alimenta a minha vontade de ir pra casa. E mesmo sabendo que a realidade lá é bem diferente daquilo que me gabo de pertencer, penso em voltar. Vai entender... É tudo muito confuso.

(Vou voltar/ sei que ainda vou voltar/ Para o meu lugar)

A vida aqui também impoe o seu ritmo – lento, dolente, puro – mas nao deixa de ser um ritmo. Que eu sigo. Sao as escolhas, minha filha. Escolhas... Mudanças... Tempo... Boas novas...Dois anos. Penso em tudo isso e um sorrisinho besta aparece no canto da boca. Acho que apesar de tudo, estou no rumo. Se é o certo? Ah... ai ja sao outros quinhentos... anos, talvez.
enviado por janavila às 17:59 | 6 comentários

Sunday, 27.01.08

Céu vermelho

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Um pequeno showzinho antes da noite. Saudades do céu de Londrina. Saudades de casa. Hoje é um domingo saudoso. Azar o meu.
enviado por janavila às 15:13 | 13 comentários